APOLOGIA À FORMA ABERTA
O projeto arquitetônico como evento, uma forma aberta diante do mundo. Na arquitetura, como na complexidade da cultura, a verdade não pode ser o reflexo de uma estrutura eterna e fechada do real mais sim uma mensagem construída cada vez que somos chamados a dar uma resposta.
É necessário um diálogo entre o pré-existente - o presente, e o desejo de futuro. Para o arquiteto o olhar fixo no presente empobrece a obra, ele se prende no jogo de repetição, fixa-se num estilo esquecendo-se que cada sítio exige um novo posicionamento, um olhar novo.
Para cada contexto deve haver a busca de soluções adequadas e não a aplicação de tipologias prontas. Captar o que é necessário fazer em cada momento e em determinado lugar sem uma prévia matriz de definição. Não se faz arquitetura sem considerar as diferenças nos meios de produção, na tecnologia, na mão de obra disponível e principalmente na percepção do que está latente em cada sítio.
Um projeto envolve sempre uma dimensão arqueológica que diz respeito à maneira como uma obra se insere num determinado lugar concreto.Projetar implica em revelar, e, por isso, é uma forma de conhecimento que não se baseia numa trama estática de verdades, mas num processo constituído de forma aberta.
Forma aberta diz respeito também ao público, ao coletivo, a uma política de desenvolvimento sustentável da cidade, onde a questão dos bens púbicos, incluindo aqui o meio ambiente, não signifique à privatização do poder político, nem a substituição da lógica política pela lógica empresarial, nem a degradação do interesse social pelo interesse privado.
Entender o diálogo entre a cidade, as práticas sociais e o meio ambiente, não é relação pura com a natureza, trata-se principalmente da coerência na utilização dos recursos naturais e dos recursos humanos, entendendo o território na sua forma produtiva, mas ligada à noção de capital social.
A forma aberta vem propor um desenvolvimento sustentável no diálogo entre a cidade e o meio ambiente. Aqui mais uma vez, existe a necessidade de particularizar as intervenções, adaptá-las a cada contexto, analisar as condições climáticas específicas para orientar um design eficiente e ao mesmo tempo moderado no uso de materiais, energia e espaço.No urbanismo a forma aberta pressupõe levar em conta os direitos da maioria. Os bairros fechados e as favelas são sintomas de uma sociedade que não admite diferenças. Shopping centers, edifícios que tentam sintetizar as cidades em suas funções, caracterizam um estilo de vida que resulta em alto consumo de superfície e de energia. Esse modo de vida deve ser revisado.
A forma aberta não é simplesmente uma relação custo - benefício, mas uma forma de interferir para a obtenção de um mundo mais equilibrado.
Heinrich Wolfflin, historiador de arte do século XIX, definiu por “forma fechada aquele tipo de representação que, valendo-se de recursos mais ou menos tectônicos, apresenta a imagem como uma realidade limitada em sim mesma, que, em todos os pontos, se volta para si mesma. O estilo de forma aberta, ao contrário, extrapola a si mesmo em todos os sentidos e pretende parecer ilimitado, ainda que subsista uma limitação velada, assegurando justamente o seu caráter fechado, no sentido estético.”
É necessário um diálogo entre o pré-existente - o presente, e o desejo de futuro. Para o arquiteto o olhar fixo no presente empobrece a obra, ele se prende no jogo de repetição, fixa-se num estilo esquecendo-se que cada sítio exige um novo posicionamento, um olhar novo.
Para cada contexto deve haver a busca de soluções adequadas e não a aplicação de tipologias prontas. Captar o que é necessário fazer em cada momento e em determinado lugar sem uma prévia matriz de definição. Não se faz arquitetura sem considerar as diferenças nos meios de produção, na tecnologia, na mão de obra disponível e principalmente na percepção do que está latente em cada sítio.
Um projeto envolve sempre uma dimensão arqueológica que diz respeito à maneira como uma obra se insere num determinado lugar concreto.Projetar implica em revelar, e, por isso, é uma forma de conhecimento que não se baseia numa trama estática de verdades, mas num processo constituído de forma aberta.
Forma aberta diz respeito também ao público, ao coletivo, a uma política de desenvolvimento sustentável da cidade, onde a questão dos bens púbicos, incluindo aqui o meio ambiente, não signifique à privatização do poder político, nem a substituição da lógica política pela lógica empresarial, nem a degradação do interesse social pelo interesse privado.
Entender o diálogo entre a cidade, as práticas sociais e o meio ambiente, não é relação pura com a natureza, trata-se principalmente da coerência na utilização dos recursos naturais e dos recursos humanos, entendendo o território na sua forma produtiva, mas ligada à noção de capital social.
A forma aberta vem propor um desenvolvimento sustentável no diálogo entre a cidade e o meio ambiente. Aqui mais uma vez, existe a necessidade de particularizar as intervenções, adaptá-las a cada contexto, analisar as condições climáticas específicas para orientar um design eficiente e ao mesmo tempo moderado no uso de materiais, energia e espaço.No urbanismo a forma aberta pressupõe levar em conta os direitos da maioria. Os bairros fechados e as favelas são sintomas de uma sociedade que não admite diferenças. Shopping centers, edifícios que tentam sintetizar as cidades em suas funções, caracterizam um estilo de vida que resulta em alto consumo de superfície e de energia. Esse modo de vida deve ser revisado.
A forma aberta não é simplesmente uma relação custo - benefício, mas uma forma de interferir para a obtenção de um mundo mais equilibrado.
Heinrich Wolfflin, historiador de arte do século XIX, definiu por “forma fechada aquele tipo de representação que, valendo-se de recursos mais ou menos tectônicos, apresenta a imagem como uma realidade limitada em sim mesma, que, em todos os pontos, se volta para si mesma. O estilo de forma aberta, ao contrário, extrapola a si mesmo em todos os sentidos e pretende parecer ilimitado, ainda que subsista uma limitação velada, assegurando justamente o seu caráter fechado, no sentido estético.”
Ellen Assad
arquiteta e urbanista
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